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Possível surto de hantavírus em cruzeiro deixa três mortos e mobiliza autoridades internacionais

Um possível surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro que cruzava o Oceano Atlântico provocou três mortes e deixou ao menos outras três pessoas doentes, segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O caso ocorre no navio MV Hondius, de bandeira holandesa, que está ancorado em Praia, Cabo Verde.

As mortes foram confirmadas pela operadora do navio, Oceanwide Expeditions, que também informou que dois tripulantes sintomáticos necessitam de atendimento médico urgente. Até o domingo, as autoridades de Cabo Verde ainda não haviam autorizado o desembarque dos passageiros, embora equipes locais de saúde tenham subido a bordo para avaliações iniciais.

Como o vírus circula e o que se sabe até agora

O hantavírus é responsável por causar a síndrome pulmonar por hantavírus, doença respiratória grave e frequentemente fatal. A infecção ocorre, em geral, pelo contato com roedores, especialmente urina, fezes ou saliva desses animais. Apenas uma variante, o vírus Andes, tem transmissão rara entre pessoas e circula principalmente no Chile e na Argentina, origem do navio envolvido no episódio.

Dos seis casos sintomáticos registrados, apenas um foi confirmado por laboratório até o momento. Os demais são investigados. Entre os doentes, três morreram e um paciente está em estado crítico na África do Sul.

A OMS afirmou que está coordenando esforços para organizar a evacuação médica de passageiros sintomáticos e avaliar eventuais riscos de saúde pública. Testes laboratoriais e análises epidemiológicas estão em andamento, incluindo sequenciamento viral.

Trajeto do navio e origem da suspeita

O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, há cerca de sete semanas. Após visitar a Antártica e Santa Helena, a embarcação seguiu para Cabo Verde, onde permanece ancorada. A rota, incomum para surtos de hantavírus, chamou atenção de especialistas.

Autoridades da província argentina de Tierra del Fuego afirmam que não há registros anteriores da doença na região, aumentando as dúvidas sobre como ocorreu a infecção a bordo.

Para o médico Scott Miscovich, o caso é “extremamente incomum”, já que o navio não passou por áreas endêmicas conhecidas, sugerindo a possibilidade de exposição dentro da própria embarcação.

Informações sobre as vítimas

A primeira morte foi de um passageiro de 70 anos, que faleceu ainda no navio. Sua esposa, que tentava retornar à Holanda, desmaiou em um aeroporto sul-africano e morreu posteriormente no hospital. Outras vítimas incluem um cidadão holandês e um britânico internado em Joanesburgo.

A Oceanwide Expeditions informou que aguarda definições sobre o desembarque e a transferência médica de tripulantes e passageiros. As autoridades holandesas concordaram em repatriar os corpos e os doentes.

Quão grave é o hantavírus?

A síndrome pulmonar por hantavírus possui taxa de mortalidade de aproximadamente 38%, podendo ser ainda maior em idosos e pessoas imunocomprometidas. Os sintomas iniciais incluem febre, fadiga e dores musculares, evoluindo para falta de ar e insuficiência respiratória.

Até o fim de 2023, menos de mil casos haviam sido confirmados nos Estados Unidos desde o início da vigilância em 1993, reforçando a raridade e gravidade da doença.

Miscovich afirma que, considerando o histórico e as circunstâncias, “todos os indícios apontam para uma possível origem a bordo do navio”, embora as investigações oficiais ainda estejam em andamento.