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Tensões no Estreito de Ormuz aumentam após versões divergentes sobre suposto ataque a navio dos EUA

O Estreito de Ormuz voltou a ser palco de tensão nesta segunda-feira (4), após o Irã afirmar que impediu a aproximação de navios de guerra dos Estados Unidos na região. As declarações ocorrem no momento em que Washington anuncia uma operação para escoltar embarcações comerciais retidas no Golfo Pérsico desde o início da guerra no Oriente Médio.

Ainda não há consenso sobre o que, de fato, ocorreu. Enquanto veículos oficiais iranianos relatam que navios americanos foram atingidos, autoridades militares dos EUA negam qualquer ataque.

O que cada lado afirma

Agências iranianas

  • A agência Fars divulgou que dois mísseis teriam atingido uma fragata americana, forçando-a a recuar.
  • A Tasnim afirmou que o Irã disparou contra navios de guerra dos EUA.

Marinha do Irã

  • Confirmou apenas que impediu a entrada das embarcações, alegando ter emitido um “aviso rápido e decisivo”.
  • Não reconheceu disparos diretos contra os navios.

Fontes iranianas à Reuters

  • Autoridades afirmaram que houve um tiro de advertência, mas sem confirmação de danos.

Forças Armadas dos EUA

  • O Comando Central negou completamente a existência de qualquer ataque a embarcações americanas.

Petroleiro atacado

Os Emirados Árabes Unidos relataram que um petroleiro da estatal ADNOC foi atacado na área, responsabilizando o Irã pelo disparo. O incidente ampliou o clima de insegurança regional.

Irã amplia reivindicação territorial

Horas antes, o governo iraniano divulgou um novo mapa com delimitadores vermelhos, indicando o que chama de “área sob controle militar” no Estreito de Ormuz. As linhas incluem trechos próximos às costas de Omã, Emirados Árabes Unidos e ilhas iranianas.

A medida foi interpretada como uma resposta ao anúncio dos Estados Unidos de que pretendem escoltar navios comerciais a partir desta segunda-feira, ação que Washington chamou de “Projeto Liberdade”.

A ameaça iraniana

Em comunicado divulgado pela mídia estatal, militares do Irã afirmaram:

  • Que qualquer navio de guerra estrangeiro, especialmente dos EUA, será atacado caso tente entrar no estreito;
  • Que a passagem de embarcações comerciais deverá ser coordenada diretamente com Teerã;
  • Que movimentações contrárias às diretrizes impostas pela Guarda Revolucionária enfrentarão “riscos sérios”.

Impactos na navegação global

O Estreito de Ormuz permanece fechado pelo Irã desde 28 de fevereiro, início da guerra contra EUA e Israel. Apenas um número mínimo de navios tem conseguido atravessar. Para pressionar Teerã, os Estados Unidos também realizam um bloqueio paralelo desde 13 de abril, redirecionando embarcações ligadas ao regime iraniano.

A rota é uma das mais estratégicas do mundo: cerca de 20% de todo o petróleo global passa por essa passagem.

Negociações continuam

Apesar do cessar-fogo iniciado no começo de abril, a abertura do estreito segue sem acordo. No domingo, o Irã afirmou ter recebido a resposta americana à sua proposta para encerrar a guerra, apresentada por intermédio do Paquistão. A análise do documento está em andamento.