Projeto gratuito atende mais de 140 alunos e incentiva disciplina, inclusão e desenvolvimento emocional
A prática do jiu-jitsu tem se tornado uma ferramenta importante na formação de crianças e adolescentes de diferentes bairros da capital. É o caso de Rafaela Oliveira, de 10 anos, moradora do Esperança da Comunidade, que encontrou no tatame o incentivo que faltava para ganhar confiança e melhorar sua comunicação.
A mãe, Simone Baldoino, conta que a filha tentou diversas atividades antes de se identificar com a arte marcial.
“Ela sempre quis o jiu-jitsu, mas existia aquele preconceito de ser um esporte masculino. Tentamos ballet, ginástica, mas não era isso. Quando ela começou no jiu-jitsu, tudo mudou: conversa mais, brinca, faz amizades. Era o que ela precisava”, relata.
Rafaela confirma a paixão pela modalidade e já projeta seu futuro no esporte.
“Gosto muito do jiu-jitsu. Ele ajuda na disciplina e na atenção. Quero disputar campeonatos e ser atleta”, diz a jovem.
O projeto, que atende 147 alunos entre 6 e 17 anos, oferece aulas gratuitas três vezes por semana, na Praça CEU. Para além da técnica, o ambiente de treino valoriza disciplina, respeito, trabalho em equipe e convivência elementos que contribuem diretamente para o desenvolvimento social e emocional das crianças.
A coordenadora de jiu-jitsu, Marlene Lima, destaca o impacto positivo observado ao longo dos anos.
“O jiu-jitsu muda vidas. Temos alunos com ansiedade, autismo, e a evolução é clara. Os pais sempre retornam contando melhorias. Somos voluntários e fazemos isso porque acreditamos no poder transformador do esporte”, afirma.
A professora Paula Cardoso reforça que o acompanhamento vai além do tatame.
“Cobramos disciplina, educação e também o desempenho escolar. Conversamos com pais e alunos para que a postura ensinada aqui seja levada para casa e para a escola. O objetivo é formar não apenas atletas, mas cidadãos melhores”, explica.
Outro exemplo de transformação é Maria Cristina, de 13 anos, moradora do bairro Pantanal.
“Aprendi muita coisa aqui. O jiu-jitsu mudou muito pra mim. Quero continuar e disputar campeonatos”, conta.
O projeto demonstra como iniciativas esportivas gratuitas podem contribuir para fortalecer vínculos, estimular hábitos saudáveis e criar novas perspectivas para crianças e adolescentes, oferecendo oportunidade, estrutura e acompanhamento próximo para quem mais precisa.










