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Fóssil cearense contrabandeado será repatriado pela Alemanha após mais de 30 anos

O fóssil do dinossauro Irritator challengeri, originalmente descoberto na Chapada do Araripe, no Ceará, será devolvido ao Brasil após três décadas em acervo estrangeiro. A peça estava desde 1991 no Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, adquirida de forma irregular por um comerciante particular.

A devolução, anunciada em abril em declaração conjunta entre Brasil e Alemanha, representa um marco para a repatriação de patrimônio fossilífero brasileiro, especialmente da Bacia do Araripe, uma das regiões mais ricas do mundo em achados paleontológicos.

O processo envolve colaboração entre instituições brasileiras e alemãs e já se encontra nas etapas finais de documentação e organização logística. Como a peça exige cuidados específicos de transporte, o retorno deve ocorrer nos próximos meses. Após sua chegada, o fóssil deverá integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

Um dinossauro raro e marcado pela história do contrabando

O Irritator challengeri era um dinossauro carnívoro de aproximadamente 6,5 metros de comprimento que viveu há cerca de 110 milhões de anos, no período Cretáceo. O nome “Irritator” faz referência à irritação dos pesquisadores alemães ao descobrirem que o crânio havia sido adulterado com gesso, prática comum em estruturas contrabandeadas para aumentar o valor de mercado.

A espécie também homenageia o personagem Professor Challenger, de “O Mundo Perdido”, obra de Arthur Conan Doyle.

Cooperação científica e resgate do patrimônio paleontológico

A repatriação reforça a importância da cooperação internacional na preservação de fósseis e na valorização científica da Chapada do Araripe, considerada um dos principais sítios paleontológicos do planeta. Brasil e Alemanha destacaram, no acordo, o compromisso com pesquisas conjuntas e troca de conhecimento, visando benefícios mútuos.

O retorno do Irritator challengeri também reacende o debate sobre o contrabando de fósseis brasileiros, prática proibida desde 1942 pela legislação que determina que todo material paleontológico encontrado no país pertence ao Estado.