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Israel e Líbano prorrogam cessar-fogo após dia mais violento desde o início da trégua

Extensão ocorre em meio a pressões diplomáticas e novos episódios de violência no sul do Líbano

Israel e Líbano concordaram em estender por mais três semanas o cessar-fogo em vigor, seguindo uma rodada de negociações realizada nesta quinta-feira (23) em Washington. A prorrogação ocorre após o dia mais letal desde o início da trégua, marcada por ataques que deixaram ao menos cinco mortos, incluindo uma jornalista libanesa.

As conversas reuniram representantes diplomáticos dos dois países, com mediação dos Estados Unidos. Apesar disso, o Hezbollah, ator central no conflito, não participa diretamente das negociações e reiterou publicamente que mantém o “direito de resistir” às forças israelenses.

A trégua, originalmente prestes a expirar no domingo (26), havia reduzido a intensidade dos combates, embora ataques pontuais tenham continuado, especialmente na região sul do Líbano, onde Israel mantém uma zona de segurança ocupada desde março. As hostilidades foram retomadas após o Hezbollah lançar ofensivas em apoio ao Irã, no início do mês.

Pressões e interesses divergentes

Durante as discussões, a delegação libanesa sinalizou que buscará, em futuras etapas, temas como retirada israelense, libertação de prisioneiros e delimitação da fronteira terrestre. Israel, por sua vez, insiste que o avanço das negociações depende do enfraquecimento do Hezbollah, apoiado pela Guarda Revolucionária do Irã e classificado por Israel como ameaça estratégica.

O governo israelense afirmou que colabora com o Líbano em questões de segurança, mas condiciona qualquer progresso à contenção do grupo armado. Já o Hezbollah critica qualquer tipo de negociação direta entre os dois países e pede que o governo libanês suspenda diálogos presenciais.

Aumento da violência complica cenário

Na véspera da reunião, ataques israelenses mataram pelo menos cinco pessoas em diferentes localidades do sul do Líbano, segundo autoridades libanesas. Entre as vítimas está a jornalista Amal Khalil, alvo de forte repercussão internacional.

Israel afirmou que investiga um caso envolvendo profissionais feridos, alegando que o ataque visava veículos associados ao Hezbollah. O grupo afirmou ter realizado quatro operações em resposta aos bombardeios.

Quase 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde o início da ofensiva israelense, segundo dados oficiais do país. Tropas de Israel ocupam uma faixa territorial de 5 a 10 quilômetros dentro do Líbano, alegando necessidade de proteção contra disparos de foguetes.

Incertezas sobre avanço político

Apesar do esforço diplomático, o clima permanece instável. A embaixada americana em Beirute chegou a recomendar que seus cidadãos deixem o Líbano, citando riscos de terrorismo e sequestro.

Enquanto isso, o Hezbollah endurece seu discurso, defendendo a continuidade da trégua apenas se Israel cumprir totalmente os termos acordados e cessar bombardeios na região.

Mesmo com a prorrogação, analistas avaliam que o cenário permanece frágil, com possibilidade de reescalada caso não haja avanços concretos nas questões estruturais que alimentam o conflito.